segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Shotwell vs F-Spot

Mais um pequeno review sobre duas aplicações gerenciadoras de fotos presentes no Ubuntu. Desta vez um comparativo entre elas: F-Spot e Shotwell.

Até a versão 10.04 (Lucid Lynx) do Ubuntu, o gerenciador de fotos padrão era o F-Spot. A partir da versão 10.10 (Marverick Meerkar) a Canonical resolveu substituí-lo pelo Shotwell. O principal motivador é que o Shotwell está mais aderente à arquitetura do Gnome, por não utilizar a tecnologia .NET em sua construção. Como benefício, ele é muito mais leve que o F-Spot. Infelizmente as vantagens param por ai.

Todos os principais recursos presentes no Shotwell também são encontrados no F-Spot, algumas vezes com uma interface mais complicada, outras de maneira mais objetiva. Como exemplo, ambos organizam as fotos com o conceito de tags, podem executar operações básicas como recortar, rotacionar, equalizar cores, etc.

O Shotwell tem um conceito novo que é o de Eventos. Você pode organizar organizar fotos correspondentes a um evento em uma hierarquia de pastas onde o primeiro nivel representa o ano e o segundo o mês do evento. É possível nomear os eventos também. Tanto o Shotwell quanto o F-Spot possuem uma funcionalidade de ajustar a data/hora da foto, muito útil para organizá-las cronologicamente. Em ambas ferramentas é possível também exportar as fotos para pastas externas, sites da web como o Picasa e Flickr com opções de ajuste da qualidade da foto (para reduzir o tamanho).

Grandes falhas nas funcionalidades do Shotwell me fizeram reconsiderar seu uso. A primeira delas é que uma vez criado um evento, não é possível excluí-lo (pelo menos não pela interface da aplicação). É bom não errar! Outro problema é que uma foto importada não pode mais ser removida da biblioteca, apenas se o arquivo for excluído. Uma outra questão é que caso você edite alguma foto da biblioteca do Shotwell, com uma aplicação externa, a imagem da mesma não será atualizada, permanecendo o antigo thumbnail. E como não existe uma opção para remover a foto da biblioteca e importá-la novamente, é bom não errar novamente!

O Shotwell evoluiu muito e ainda tem um longo caminho pela frente. É uma aplicação promissora que muito provavelmente irá superar o F-Spot em pouco tempo, porém ainda é cedo para efetuar a troca. Os usuários que utilizam o F-Spot de maneira mais intensa podem sentir dificuldade em executar operações básicas como remover fotos da biblioteca ou apagar álbuns. Estou dando uma chance ao Shotwell, mas ainda perco a paciência em algumas tarefas. Espero que na próxima versão eles corrijam estas falhas.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Unity - Um passo atrás

Neste post farei um breve review sobre a nova interface gráfica, presente na versão 10.10 (Maverick Meerkat) para Netbook: A Unity. A versão equivalente para desktop ainda não utiliza esta interface.

Quando soube das mudanças na interface gráfica para netbooks no Ubuntu 10.10, através de seu site http://unity.ubuntu.com/ fiquei impressionado com as melhorias feitas: Melhor utilização do espaço na área de trabalho pelas janelas (item importantíssimo para dispositivos com espaço limitado, como é o caso dos netbooks), barra lateral de aplicações mais utilizadas, notificações integradas, dentre outros. A proposta do Unity é de ser uma interface gráfica intuitiva, que utilize bem os recursos do sistema, mantendo uma experiência de uso agradável para o usuário final.

Janelas

Boa parte das mudanças propostas a Unity consegue alcançar. As janelas de aplicativos ocupam menos espaço na área de trabalho, pois tanto a sua barra de título quanto seus menus estão integrados com o painel superior, junto com os ícones de informações e relógio.

No mundo ideal isto funcionaria perfeitamente, porém na prática não é o que acontece. Para que uma aplicação tome proveito desta barra integrada, ela deve ter sido desenvolvida utilizando corretamente os recursos do Unity,o que ainda não acontece com muitas aplicações, a principal delas é o Firefox. Espera-se que nas próximas versões, mais aplicações estejam compatíveis.

Um outro ponto negativo é a falta de opções de configurações da interface. Não é mais possível sequer alterar a forma como a data é exibida. A posição dos painéis também é fixa e não pode ser alterada.

Launcher

A barra lateral (chamada de Launcher) é onde ficam os atalhos para iniciar rapidamente os aplicativos mais utilizados. É nela também que fica a indicação das aplicações já iniciadas (substituto da antiga barra de janelas). É um conceito também utilizado no novo Windows 7, a diferença é que neste a barra é inferior. A barra lateral aproveita melhor a tela ampla presente na grande maioria dos netbooks.

Também neste quesito algumas falhas de usabilidade podem ser apontadas. Quando uma aplicação está sendo iniciada, seu ícone aparece nesta barra com uma leve luz branca pulsante. Se o usuário não for atento ele poderá achar que nada está acontecendo e tende a clicar novamente no botão.

Programas

Para acessar os programas instalados pode-se fazê-lo através de dois caminhos: utilizando o botão do Ubuntu na parte superior esquerda da janela ou através do Launcher -> Aplicativos. Em ambos os casos os programas estarão organizados em categorias e existe também um campo para pesquisa pelo nome.

Novamente críticas neste ponto: as categorias não são totalmente correspondentes com as versões anteriores e muitos aplicativos não se encaixarão em nenhuma delas, só podendo ser acessado através da opção "Todas Aplicações" ou pela busca. Ao acionar uma aplicação, todo caminho que você fez para chegar até ela será perdido, tendo que refazê-lo caso deseje abrir mais alguma aplicação daquela categoria.

Arquivos

O Unity trás uma nova visualização para o sistema de arquivos, que pode ser acessado também pelo Launcher. Esta visão por padrão irá mostrar os arquivos do perfil de usuário, os arquivos visualizados mais recentes, além de visões por tipo de arquivos (documentos, áudio, vídeo, etc). Basta clicar no arquivo / pasta para abrí-lo. Possui também um campo para localização rápida de arquivos.

Para mim este foi o recurso mais inútil de todos. A pesquisa por arquivos não é rápida, os itens recentemente acessados acabam poluindo a janela, não podendo ser limpados e não é possível executar nenhum tipo de operação nos arquivos por esta visão (excluir, mover, renomear)! Para isto ainda existe o acesso ao Nautilus através de um pequeno botão com o ícone de uma pasta na parte superior. Muitos nem notarão!

Uma questão curiosa é que as teclas de atalhos, como ALT+TAB, CTRL+ALT+L (bloquear), CTRL+ALT+D (exibir desktop) não funcionaram enquanto a visão de programas ou arquivos estiver ativa.

Conclusão

Para completar, o Unity ainda está bastante instável, ocorrendo com uma certa frequência travamentos. O sistema automaticamente reconhece e reinicia a interface, mas ainda assim é um incomodo para o usuário ver que todos os botões somem da tela por alguns segundos (até serem restaurados)

O Unity tem tudo para ser uma grande interface gráfica, mas ainda precisa de muitas melhorias. Acho que a estratégia da Canonical em colocar esta interface inicialmente (e tão prematuramente) apenas na versão para netbook foi em forçar os usuários a utilizarem e gerarem um feedback para que boas melhorias sejam feitas. Espero que na próxima versão do Ubuntu (Natty Narwhal 11.04) este "passo atrás" se torne "dois para frente".

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

JavaOne no Brasil

Apesar deste blog não ser sobre Java, este post será dedicado ao mesmo, pois é uma das minhas paixões.

Aconteceu esta semana (7 a 9 de Dezembro) um evento muito aguardado por toda a comunidade Java: o JavaOne no Brasil. Este ano com a aquisição da Sun pela Oracle, esta última conseguiu realizar o JavaOne em São Paulo, em conjunto com dois outos eventos de maior porte: Oracle Open World e Oracle Developer. O público alvo atingia toda a américa latina.

Tive a oportunidade de participar deste evento e gostaria de relatar um pouco sobre o mesmo, sem entrar em detalhes técnicos.

De inicio pude perceber que o público presente superou e muito a expectativa da Oracle. Foram mais de mil inscritos e o evento não estava dimensionado para tal. As palestras do primeiro dia pela manhã foram no maior auditório de todos (o Keynote Hall) e boa parte dos participantes teve que ficar em pé. Diversos assuntos foram tratados, falando sobre o direcionamento estratégico da Oracle, sobre sua aquisição da Sun, novos produtos, o futuro do Java, etc, inclusive com a participação do presidente da Oracle.

À tarde as palestras já estavam divididas em auditórios separados para cada evento. Os auditórios para as palestras sobre Java estavam em um anexo ao prédio principal. Mais uma vez as salas não estavam dimensionadas para a quantidade de inscritos. As palestras ficavam lotadas e muita gente tinha que ficar em pé. No entanto o conteúdo das palestras estava muito bom e superou minha expectativa em muitas delas.

Foram apresentadas diversas novas tecnologias relacionadas com o Java, novas especificações para desenvolvimento de aplicações web, interfaces ricas, dispositivos móveis, até mesmo automação residencial com Java e opensource hardware, esta última tendo que ser repetida por dois dias dada a quantidade de pessoas que queria assistir. Além disto algumas salas estavam equipadas com notebooks para a realização de algumas práticas bem interessantes, com o JavaFX, JEE 6, etc.

Como sempre, observei o sistema operacional utilizado pelos palestrantes em seus computadores. Um fato curioso e inesperado por mim é que a grande maioria deles utilizava um MacBook. Alguns outros utilizavam o Linux, sendo sempre o Ubuntu como distribuição, e apenas uns dois estavam utilizando o Windows (7). Isto mostra que pelo menos na nossa área o mercado está bem diversificado.

Infelizmente o sentimento ao fim do evento é que o JavaOne no Brasil existiu apenas como algo menosprezado em sua organização. Apesar do conteúdo ter sido bom, o local não oferecia o conforto adequado, era preciso ficar na fila por até 30min esperando entrar na sala para conseguir uma cadeira para sentar. Espero que com a demonstração da presença em massa da comunidade a Oracle repita este evento próximo ano mas dando a devida atenção à sua importância.